Júlia Moreno Felicio · Biomedicina · 2025
A doença renal crônica (DRC) é um agravo de saúde pública global caracterizado pela perda irreversível da função renal, com fatores como diabetes e hipertensão associados ao aumento de sua prevalência. No Brasil, estima-se que 6,7% da população seja afetada, enquanto globalmente a prevalência varia entre 10% e 14%. A progressão da DRC é classificada em estágios de 0 a 5, sendo o último associado à necessidade de diálise ou transplante renal. Pacientes com DRC frequentemente utilizam múltiplos medicamentos, configurando polifarmácia, o que aumenta o risco de interações medicamentosas (IM), que podem ser farmacocinéticas ou farmacodinâmicas, com impactos na eficácia terapêutica e segurança do paciente. Os grupos de fármacos mais envolvidos incluem IECA/ARBs combinados com AINEs, anticoagulantes, antibióticos nefrotóxicos, antidiabéticos e analgésicos. Estratégias de “drug stewardship”, como reconciliação medicamentosa, ajuste de dose baseado no eGFR (CKD‑EPI), monitoramento laboratorial e participação do profissional biomédico demonstraram reduzir significativamente a incidência de IM graves e melhorar a segurança terapêutica. O presente trabalho, de caráter integrativo, evidencia a importância da vigilância farmacoterapêutica e do uso racional de medicamentos para reduzir riscos, otimizar tratamentos e promover melhor qualidade de vida para pacientes com DRC.
Ana Beatriz de Oliveira Alves · Biomedicina · 2025
O Streptococcus agalactiae, também conhecido como Estreptococo do Grupo B (SGB ou EGB), é um microrganismo que pode colonizar o trato genital e gastrointestinal humano, representando um importante risco durante a gestação. Este estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão da literatura, os impactos da infecção por S. agalactiae na gestação e sua relação com a sepse neonatal. Foram consultadas publicações científicas entre 2014 e 2025, abordando aspectos microbiológicos e diagnósticos. A infecção em gestantes, geralmente assintomática, pode ocasionar corioamnionite, endometrite e ruptura prematura de membranas, aumentando o risco de transmissão vertical durante o parto. A sepse neonatal precoce, associada ao EGB, é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, manifestando-se nas primeiras 72 horas de vida com sinais sistêmicos graves. Métodos diagnósticos como cultura em caldo Todd Hewitt e PCR têm papel fundamental na triagem de gestantes entre a 35ª e a 37ª semana. O tratamento profilático com penicilina reduziu significativamente os casos de sepse precoce, porém não impede a infecção tardia. Novas estratégias preventivas, como o desenvolvimento de vacinas maternas, vêm sendo estudadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Conclui-se que a detecção precoce, a educação em saúde e o manejo adequado do Streptococcus agalactiae são essenciais para reduzir os índices de morbimortalidade neonatal e garantir uma gestação mais segura.
Débora Tainara Paulino · Biomedicina · 2025
As cicatrizes quelóidianas representam uma desordem fibroproliferativa caracterizada pela produção excessiva de colágeno e pelo crescimento do tecido cicatricial além dos limites da lesão original, resultando em deformidades estéticas e desconforto funcional. O tratamento dessas lesões é um desafio clínico devido às altas taxas de recidiva e à diversidade de respostas terapêuticas. Entre as alternativas disponíveis como cirurgia, corticosteroides, crioterapia e laser, a radioterapia adjuvante tem se destacado por sua eficácia na prevenção de recorrências, especialmente quando aplicada nas primeiras 24 a 48 horas após a excisão cirúrgica. Revisões internacionais demonstram que a associação entre cirurgia e radioterapia pode reduzir as taxas de recidiva para valores inferiores a 20%. No Brasil, estudos realizados confirmam esses resultados, apresentando taxas de recidiva próximas a 10%, com melhores desfechos em protocolos com doses de 32 Gy (Gray - unidade do sistema internacional para medir a dose absorvida de radiação)/16 frações. Além disso, a literatura nacional reforça a segurança do método e a ausência de efeitos adversos graves. A minha análise integrativa da produção científica dos últimos dez anos evidencia que a radioterapia pós-operatória atua modulando a atividade fibroblástica, inibindo a síntese de colágeno e favorecendo uma cicatrização controlada. Assim, conclui-se que a radioterapia constitui uma modalidade terapêutica adjuvante consolidada, segura e eficaz no manejo dos queloides, representando um avanço significativo na busca por tratamentos que conciliem resultados funcionais e estéticos satisfatórios.
Ana Carolina de Oliveira · Biomedicina · 2025
Os métodos de diagnóstico por imagem desempenham um papel fundamental na avaliação anatômica e funcional dos órgãos humanos. Entre eles, a cintilografia da glândula tireoide se destaca por permitir a análise do metabolismo do iodo e a identificação de alterações estruturais e funcionais dessa glândula. Este trabalho teve como objetivo apresentar, por meio de revisão bibliográfica, a importância da cintilografia tireoidiana no diagnóstico, acompanhamento e diferenciação de doenças tireoidianas, destacando suas indicações, limitações e contribuição clínica. A compreensão adequada dos princípios do exame e sua interpretação é essencial para garantir maior precisão diagnóstica e orientar a conduta terapêutica de forma eficiente.
Evelyn Caroline Brombine Rodrigues · Biomedicina · 2025
Este trabalho teve como objetivo destacar a importância dos testes rápidos no diagnóstico da hepatite C. Essa doença costuma se desenvolver de forma silenciosa e pode evoluir para complicações graves, como cirrose ou câncer de fígado, por isso, identificá-la o mais rápido possível é fundamental. Os testes rápidos são importantes, pois apresentam fácil aplicação, baixo custo e resultados ágeis, o que facilita seu uso em locais com infraestrutura limitada, como unidades básicas de saúde em regiões remotas. O trabalho em questão também aborda o funcionamento desses testes, suas vantagens, limitações e a necessidade de confirmação dos resultados positivos por meio de exames laboratoriais mais precisos. Por fim, o estudo reforça que, embora os testes rápidos sejam essenciais no diagnóstico inicial, eles devem ser compreendidos como parte de um processo mais amplo, que inclui acesso ao tratamento, políticas públicas bem estruturadas e ações de prevenção. Assim, os testes rápidos contribuem significativamente para o controle da hepatite C e para o avanço rumo à eliminação da doença.
Vitória Gonçalves Iauch · Biomedicina · 2025
O mieloma múltiplo (MM) é um câncer originado de plasmócitos anormais que se proliferam descontroladamente na medula óssea, manifestando evolução progressiva e sem cura definitiva. A maioria dos diagnósticos ocorre em adultos mais velhos, principalmente homens entre 65 e 74 anos. O diagnóstico é definido por dois dos três sinais dos “Critérios de CRAB” comumente apresentados como lesão óssea, presença de proteína M urinária e plasmática e pelo menos 10% de plasmócitos na medula óssea. O Sistema de Estadiamento Internacional (ISS) é amplamente utilizado para avaliação prognóstica dos indivíduos. As alterações laboratoriais do mieloma múltiplo (MM) são evidenciadas nos exames tornando se úteis como ferramentas diagnósticas ou monitoramento da doença, tais como: hemograma, dosagem de cálcio e ureia, eletroforese de proteínas, dosagem de cadeia leve livre provenientes de imunoglobulina sérica, exames de imagem e biopsia da medula óssea. O objetivo principal deste trabalho foi descrever a fisiopatologia do mieloma múltiplo e detalhar os aspectos clínicos e laboratoriais a fim de orientar os estudantes e profissionais da saúde na interpretação dos exames no diagnóstico e prognóstico. Para o desenvolvimento deste trabalho, foi realizado o levantamento bibliográfico de 309 artigos e selecionado 26 artigos de artigos nos últimos 10 anos (2015 à 2025). Assim, reforça-se a necessidade de ampliar a divulgação de informações sobre o mieloma múltiplo, incluindo suas manifestações clínicas e laboratoriais, tanto entre profissionais da saúde quanto para a população. Os diagnósticos tardios podem causar consequências graves como lesões que comprometem a qualidade de vida do paciente, dificultando seu tratamento e podendo evoluir para uma condição irreversível e fatal.