Laiz Aparecida Leoncio · Psicologia · 2025
A dinâmica histórica da sociedade impõe severas ameaças e vulnerabilidades aos povos originários, resultando na desvalorização de seus saberes ancestrais e práticas tradicionais. Diante disso, este trabalho propõe um imperativo ético e político de resgate e preservação da cultura e dos direitos indígenas, valorizando seus sistemas de conhecimento. O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a identidade e as histórias desses povos, sugerindo a garantia de políticas públicas específicas. A Psicologia assume um papel crucial ao contribuir ativamente para que a pessoa indígena possa exercer plenamente sua identidade em todos os contextos da vida social.
Vithoria Renata Soares Braga · Psicologia · 2025
A violência contra a mulher permanece como um fenômeno complexo e presente na sociedade, influenciado por construções culturais e sociais que atravessam gerações. Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo compreender as influências sociais e culturais que perpetuam essa violência e de que forma a Psicologia pode auxiliar no rompimento desse ciclo. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases Google Acadêmico, PePSIC e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com publicações entre 2022 e julho de 2025. A análise dos estudos evidenciou que a violência de gênero é sustentada por padrões culturais patriarcais e pela naturalização de papéis de gênero. Os resultados apontam que, embora as políticas públicas e a Lei Maria da Penha tenham representado avanços, a atuação dos profissionais ainda carece de preparo e sensibilidade para o acolhimento efetivo das vítimas. A psicologia, especialmente sob a perspectiva sócio-histórica, mostra-se fundamental no enfrentamento, ao promover autonomia, fortalecimento e reconstrução da identidade da mulher. Conclui-se que a integração entre políticas públicas, formação profissional e práticas éticas é essencial para o rompimento dos ciclos de violência e a promoção da equidade de gênero.
Liciana Vaz de Arruda Silveira · Psicologia · 2025
A inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino superior tem avançado no Brasil, mas ainda enfrenta desafios acadêmicos, sociais e psicológicos. Estratégias como flexibilização curricular, tecnologias assistivas, suporte psicopedagógico e formação docente são essenciais. Revisões sistemáticas evidenciam avanços, limitações e a necessidade de políticas e práticas que promovam a permanência e o sucesso desses alunos. Esta revisão sistemática foi registrada no PROSPERO com número de protocolo CRD42025646522. A estratégia de busca foi realizada nas bases de dados Pubmed (MEDLINE), Embase, Web of Science e PsycINFO. Foram incluídos estudos originais que investigaram estratégias e intervenções voltadas a estudantes universitários com TEA, considerando desfechos relacionados à permanência, aprendizagem, participação e inclusão acadêmica. A seleção, extração e síntese dos dados foram realizadas de forma padronizada, assegurando transparência e reprodutibilidade. Do total de 734 registros identificados, 11 estudos atenderam aos critérios de elegibilidade. Os estudos foram publicados entre 2021 e 2025 e majoritariamente escritos em inglês, com destaque para pesquisas conduzidas no Brasil e nos Estados Unidos. Observou-se predominância de delineamentos qualitativos, refletindo a necessidade de compreender experiências e contextos individuais da inclusão. O crescimento das publicações coincide com o aumento de matrículas de estudantes autistas no ensino superior e com a consolidação de políticas inclusivas. Os resultados evidenciam o potencial de apoios individualizados, programas de mentoria e recursos tecnológicos como caminhos promissores, ao mesmo tempo em que reforçam a necessidade de adaptações institucionais e maior engajamento docente para garantir práticas inclusivas e sustentáveis.
Isabellaariadne Ferrari Bernardes · Psicologia · 2025
O aconselhamento genético é um processo que visa auxiliar indivíduos na compreensão e adaptação às implicações médicas, psicológicas e familiares de condições genéticas. Historicamente, o aconselhamento se enquadra em uma estrutura humanística que valoriza a autonomia do paciente e adota a não-diretividade como princípio ético central, tendo surgido em reação à eugenia e ao paternalismo. Contudo, a não-diretividade estrita enfrenta críticas por ser inatingível na prática e, paradoxalmente, poder diminuir a autonomia percebida, levando à necessidade de reflexões sobre o tema. Com isso, o estudo teve como objetivo compreender como os conceitos de autonomia e não-diretividade têm sido abordados pela literatura dos últimos 10 anos no contexto da tomada de decisão no aconselhamento genético, considerando a fase de transição ética e tecnológica impulsionada pela genômica. Trata-se de uma revisão de literatura do Estado da Arte, em que a busca foi realizada em outubro de 2025, utilizando descritores controlados (DeCS/MeSH) para "aconselhamento genético" e "autonomia" em bases de dados como BVS, SciELO e PubMed/MEDLINE, incluindo artigos publicados nos últimos 10 anos. Após a triagem, 20 estudos foram incluídos na análise final. Verificou-se que, embora a nãodiretividade continue sendo o ideal ético, há um consenso de que a neutralidade total é inalcançável, pois a forma como a informação é apresentada veicula valores. O campo tem evoluído para modelos mais ativos, como a tomada de decisão compartilhada e a autonomia relacional, reconhecendo que a tomada de decisão é influenciada por vínculos interpessoais e pelo contexto socioeconômico e cultural. A complexidade genômica e a preferência de pacientes por orientação ativa tornam a não-diretividade pura insustentável em muitos casos. As discussões sobre autonomia no aconselhamento genético são desafiadas pela assimetria de poder e pelo contexto de saúde. Aponta-se a relevância de integrar perspectivas como o existencialismo e a educação libertadora para a formação profissional e para a prática, promovendo uma comunicação dialógica e crítica, essencial para que o consulente exerça sua autonomia de forma consciente, contextualizada e responsável.
Ananda Beatriz Benedito Dejesus · Psicologia · 2025
Este estudo investigou de que forma a flexibilidade psicológica, conforme proposta pela Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), pode contribuir para o manejo do sofrimento emocional na terminalidade em contextos de cuidados paliativos. Por meio de uma revisão integrativa da literatura, foram analisados 11 artigos publicados nos últimos dez anos, selecionados nas bases CAPES Periódicos, SciELO e BVS. Os resultados evidenciam que o sofrimento diante da finitude envolve dimensões emocionais, identitárias, relacionais e éticas, afetando pacientes, familiares e equipes multiprofissionais. Apesar disso, a atuação psicológica ainda aparece de forma limitada, frequentemente acionada de maneira tardia e condicionada à centralidade do modelo biomédico. Observou-se também uma escassez de estudos que abordam explicitamente a ACT ou intervenções voltadas ao desenvolvimento da flexibilidade psicológica no contexto paliativo. Ainda assim, os princípios da ACT mostram compatibilidade teórica com as necessidades identificadas, especialmente no que se refere ao acolhimento da dor emocional, à regulação experiencial e ao alinhamento com valores. Conclui-se que a ACT representa uma possibilidade promissora, embora pouco explorada, e que novas pesquisas são necessárias para fundamentar intervenções psicológicas sistematizadas na área.
Daiane Aparecida Leite · Psicologia · 2025
O presente estudo investigou aspectos do desenvolvimento socioemocional de crianças da educação infantil, analisando como o uso excessivo de telas pode impactar o desenvolvimento integral. A metodologia adotada foi uma revisão sistemática de literatura, conduzida conforme o protocolo PRISMA, envolvendo artigos publicados entre 2020 e 2025. Ao final do processo, nove estudos atenderam integralmente aos critérios de inclusão. O objetivo central consistiu em compreender de que forma o uso excessivo de dispositivos digitais afeta o desenvolvimento das competências socioemocionais nessa faixa etária. A análise dos artigos selecionados permitiu organizar os achados em sete categorias, que evidenciam a importância do desenvolvimento socioemocional e os fatores que o influenciam, favorecem ou dificultam. Os resultados mostram como esse desenvolvimento tem sido abordado nas escolas, as principais problemáticas identificadas e o papel essencial do brincar como ferramenta de aprendizagem. Também foram discutidos os impactos do tempo excessivo diante das telas, incluindo possíveis prejuízos à empatia, uma vez que essa competência depende de interações sociais que podem ser reduzidas pelo uso exagerado de dispositivos digitais. Por fim, os estudos revisados apresentam benefícios, desafios, boas práticas e recomendações que contribuem para o aprimoramento das ações educativas e para uma compreensão mais ampla do tema.
Bruna Aparecida de Camargo Soares · Psicologia · 2025
A violência doméstica contra a mulher é um fenômeno complexo, influenciado por fatores históricos, culturais e emocionais que dificultam a ruptura de ciclos abusivos. Entre esses fatores, destaca-se a dependência emocional, compreendida, na perspectiva da Análise do Comportamento, como um padrão de respostas aprendidas e mantidas por contingências específicas de reforçamento. Este estudo teve como objetivo compreender, sob a ótica analítico-comportamental, os elementos que dificultam o rompimento de ciclos abusivos em mulheres vítimas de violência doméstica, com ênfase nas relações funcionais relacionadas à dependência emocional. A pesquisa foi conduzida por meio de uma revisão integrativa da literatura nas bases SciELO, LILACS, PubMed, PePSIC e Google Acadêmico. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 12 artigos publicados entre 2018 e 2025 compuseram a amostra final. A análise temática evidenciou que a permanência em relacionamentos abusivos é sustentada principalmente por reforçamento negativo, quando a permanência reduz conflitos, ameaças ou punições e por reforçamento intermitente, marcado pela alternância entre episódios de violência e demonstrações de afeto. Fatores socioculturais, econômicos e a ausência de redes de apoio também reduzem alternativas de resposta e favorecem a manutenção desses vínculos. Conclui-se que a compreensão das relações funcionais envolvidas na dependência emocional é fundamental para orientar intervenções clínicas e políticas públicas que ampliem o repertório comportamental das mulheres, fortaleçam habilidades de enfrentamento e ofereçam novas fontes de reforço capazes de apoiar o rompimento de ciclos coercitivos.
Angelica Carolina Santo Cordeiro · Psicologia · 2025
O presente estudo investiga a vivência da angústia sob a perspectiva da psicologia fenomenológico-existencial, contextualizando-a na tensão contemporânea da medicalização do sofrimento. O objetivo central é analisar o potencial da angústia, fundamentada na analítica de Martin Heidegger, como fator propulsor para a individuação e a constituição de uma identidade autêntica. A metodologia consistiu em uma cuidadosa revisão bibliográfica de 10 artigos científicos e da obra Ser e Tempo. Os resultados demonstram que a angústia é a disposição que de forma radical rompe com a impessoalidade (das Man) e a decadência cotidiana, revelando ao Dasein sua liberdade e finitude (ser-para-a-morte). Contudo, a medicalização excessiva atua como um mecanismo que silencia esse chamado existencial. Concluise que o tamponamento farmacológico da angústia obstrui o processo de auto confrontação, impedindo a apropriação da própria existência autêntica em favor da funcionalidade imediata.
Nicoly Ribeiro da Cruz · Psicologia · 2025
A ansiedade configura-se como uma questão de saúde mental prevalente no contexto universitário, com impactos significativos na trajetória acadêmica e no bem-estar psicossocial dos estudantes. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre ansiedade e desempenho acadêmico em universitários, identificando os fatores desencadeadores, os impactos dessa condição e as estratégias de enfrentamento por eles utilizadas. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, qualitativa e narrativa, desenvolvida a partir da análise de 15 artigos científicos selecionados em bases indexadas, publicados entre 2019 e 2024. Os resultados, organizados em três eixos temáticos, indicam que os fatores desencadeadores são multifatoriais, englobando pressões acadêmicas e institucionais, vulnerabilidades socioeconômicas e dinâmicas psicossociais de comparação. Os impactos manifestam-se em um ciclo vicioso que compromete funções cognitivas (concentração, memória, planejamento) e a saúde psíquica, afetando a autoconfiança e a identidade estudantil. Quanto às estratégias de enfrentamento, identificou-se um repertório diversificado em três níveis: individual, grupal e institucional. Conclui-se que a ansiedade acadêmica é um fenômeno psicossocial complexo, exigindo uma abordagem ecológica e corresponsável que articule esforços individuais a transformações institucionais para a promoção de um ambiente universitário saudável e acolhedor.
Nicolas Benvindo Ponce · Psicologia · 2025
O presente trabalho tem como objetivo analisar como o racismo estrutural e a exclusão social influenciam a constituição da subjetividade da população negra no Brasil, a partir da perspectiva da Psicologia Social. Por meio de uma revisão bibliográfica qualitativa e exploratória, foram examinadas produções acadêmicas que abordam o impacto psicológico e social do racismo, bem como as estratégias de resistência e fortalecimento identitário desenvolvidas pela população negra. Os resultados apontam que o racismo, enquanto fenômeno estrutural e histórico, produz efeitos significativos na saúde mental e no senso de pertencimento social, gerando sofrimento psíquico e mecanismos de defesa subjetivos. Contudo, observa-se também a presença de práticas de resistência, reexistência e ressignificação que expressam a potência da identidade negra. Conclui-se que a Psicologia Social pode desempenhar um papel essencial na construção de práticas antirracistas e na promoção da equidade e do bem-estar da população negra.
Lôys Leine Alegre da Silva · Psicologia · 2025
Vivemos em uma época marcada pela rapidez, pela hiperconexão e pela cobrança por performance, contextos que favorecem tanto a superficialidade das relações quanto a objetificação das experiências pessoais. O estudo teve como objetivo analisar como o vazio existencial se manifesta na contemporaneidade e quais seus impactos na constituição subjetiva do sujeito. Para isso, realizou-se uma revisão integrativa da literatura em bases nacionais de acesso aberto, contemplando artigos publicados entre 2020 e 2025 que abordavam diretamente o vazio existencial e suas relações com o contexto atual. A análise dos estudos revelou que o vazio emergiu como consequência de fatores como imediatismo, hiperconexão, fragilidade dos vínculos, individualismo e busca por desempenho contínuo, elementos que intensificam sentimentos de angústia, insuficiência e perda de sentido. Identificou-se também que, apesar de associado ao sofrimento psíquico individual e coletivo, o vazio pode abrir espaço para processos de reflexão, ressignificação e retomada da autenticidade, especialmente quando acolhido em abordagens clínicas fundamentadas como na fenomenologia-existencial. Conclui-se que o fenômeno exige compreensão multifatorial e aprofundamento teórico e empírico, dada sua complexidade e relevância clínica, social e subjetiva no cenário contemporâneo.
Jaqueline Cristina Ferreira · Psicologia · 2025
O ingresso e a permanência na universidade representam um período de significativas demandas adaptativas, que podem ser particularmente desafiadoras para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Esta revisão integrativa da literatura teve como objetivo identificar os fatores de risco e de proteção associados à saúde mental dessa população no contexto do ensino superior. O método consistiu na busca e análise de artigos científicos nas bases de dados SciELO e Pepsic, publicados entre 2015 e 2025, totalizando 17 estudos que compuseram o corpus final. Os resultados foram organizados em uma tabela sintética e analisados tematicamente. A análise evidenciou que os principais fatores de risco incluem o diagnóstico tardio, a presença de comorbidades como ansiedade e depressão, a prática exaustiva do masking (camuflagem social) e as barreiras impostas pelo ambiente acadêmico não adaptado. Por outro lado, os fatores de proteção identificados foram o autoconhecimento propiciado pelo diagnóstico, o suporte familiar e entre pares neurodivergentes, o acesso a serviços de saúde mental especializados e o desenvolvimento da autoaceitação. Conclui-se que a saúde mental do universitário com TEA é um constructo multidimensional, influenciado pela interação entre suas características individuais e a capacidade do ambiente em oferecer suporte adequado, sendo premente a implementação de políticas de inclusão e permanência que considerem suas necessidades específicas.