Isabelly Pereira Rodrigues · Biomedicina · 2025
A coloração de Ziehl-Neelsen é importante para a identificação de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) em casos de tuberculose. O Mycobacterium tuberculosis apresenta uma parede rica em lipídios, principalmente ácido micólico, o que confere resistência à descoloração álcool-ácido. A técnica consiste na aplicação da fúcsia fenicada aquecida, fazendo com que o corante penetre a parede bacteriana, após isso será utilizado a solução álcool-ácido para remover o excesso de corante das estruturas que não tem a mesma composição, por fim aplicase o corante de contraste, para dar o fundo, permitindo a visualização dos bacilos em microscopia óptica. Realizou-se revisão bibliográfica descritiva, para avaliar as vantagens da coloração ZN e justificar seu uso contínuo, como sensibilidade, custo e aplicabilidade em laboratórios de análises clínicas. A revisão da enfoque na história da tuberculose, que apresenta elevada capacidade de disseminação, sendo um grave problema de saúde pública até os dias atuais. Conclui-se que, apesar do avanço de métodos moleculares e da microscopia por fluorescência, a ZN permanece relevante por sua simplicidade, baixo custo e possibilidade de implementação em contextos com infraestrutura limitada.
Julia Vitória da Silva Pereira · Biomedicina · 2025
O presente trabalho realiza a análise dos principais mecanismos de resistência a carbapenêmicos em duas bactérias gram-negativas de alta relevância clínica: Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase (KPC) e Acinetobacter baumannii resistente a carbapenêmicos (CRAB). Embora pertencentes a gêneros distintos, apresentam várias semelhanças quando se trata de resistência antimicrobiana. K. pneumoniae se destaca pela produção de enzimas de classe A, que promovem a quebra do anel β-lactâmico e formam estruturas protetoras como biofilmes, o que dificulta a ação dos medicamentos antimicrobianos, já A. baumannii emprega vários métodos dinâmicos de defesa, como as alterações em proteínas da membrana que se ligam a penicilina (PBPs), redução da permeabilidade da membrana externa, produção de enzimas OXA-carbapenemases e ativação de bombas de efluxo. Ambas as espécies possuem afinidade principalmente por ambientes hospitalares, com grande interesse entre pacientes imunocomprometidos, levando para o aumento das taxas de morbimortalidade, além da sobrecarga nas unidades de terapia intensiva (UTIs) e os sistemas de saúde. A dificuldade desses processos torna os tratamentos mais restritos devido às opções terapêuticas disponíveis para combater as infecções. Compreender bem esses processos é importante para identificar os padrões, mostrando a necessidade de intervenções políticas públicas urgentes e incentivando a formulação de novas estratégias epidemiológicas coordenadas e sustentáveis. A resistência antimicrobiana pode desencadear um colapso da capacidade terapêutica, representando uma ameaça em potencial à saúde pública global.
Ana Beatriz de Oliveira Alves · Biomedicina · 2025
O Streptococcus agalactiae, também conhecido como Estreptococo do Grupo B (SGB ou EGB), é um microrganismo que pode colonizar o trato genital e gastrointestinal humano, representando um importante risco durante a gestação. Este estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão da literatura, os impactos da infecção por S. agalactiae na gestação e sua relação com a sepse neonatal. Foram consultadas publicações científicas entre 2014 e 2025, abordando aspectos microbiológicos e diagnósticos. A infecção em gestantes, geralmente assintomática, pode ocasionar corioamnionite, endometrite e ruptura prematura de membranas, aumentando o risco de transmissão vertical durante o parto. A sepse neonatal precoce, associada ao EGB, é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, manifestando-se nas primeiras 72 horas de vida com sinais sistêmicos graves. Métodos diagnósticos como cultura em caldo Todd Hewitt e PCR têm papel fundamental na triagem de gestantes entre a 35ª e a 37ª semana. O tratamento profilático com penicilina reduziu significativamente os casos de sepse precoce, porém não impede a infecção tardia. Novas estratégias preventivas, como o desenvolvimento de vacinas maternas, vêm sendo estudadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Conclui-se que a detecção precoce, a educação em saúde e o manejo adequado do Streptococcus agalactiae são essenciais para reduzir os índices de morbimortalidade neonatal e garantir uma gestação mais segura.