Finitude e sofrimento emocional: atuação psicológica em cuidados paliativos e diálogos possíveis com a terapia de aceitação e compromisso
Este estudo investigou de que forma a flexibilidade psicológica, conforme proposta pela Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), pode contribuir para o manejo do sofrimento emocional na terminalidade em contextos de cuidados paliativos. Por meio de uma revisão integrativa da literatura, foram analisados 11 artigos publicados nos últimos dez anos, selecionados nas bases CAPES Periódicos, SciELO e BVS. Os resultados evidenciam que o sofrimento diante da finitude envolve dimensões emocionais, identitárias, relacionais e éticas, afetando pacientes, familiares e equipes multiprofissionais. Apesar disso, a atuação psicológica ainda aparece de forma limitada, frequentemente acionada de maneira tardia e condicionada à centralidade do modelo biomédico. Observou-se também uma escassez de estudos que abordam explicitamente a ACT ou intervenções voltadas ao desenvolvimento da flexibilidade psicológica no contexto paliativo. Ainda assim, os princípios da ACT mostram compatibilidade teórica com as necessidades identificadas, especialmente no que se refere ao acolhimento da dor emocional, à regulação experiencial e ao alinhamento com valores. Conclui-se que a ACT representa uma possibilidade promissora, embora pouco explorada, e que novas pesquisas são necessárias para fundamentar intervenções psicológicas sistematizadas na área.