Isabellaariadne Ferrari Bernardes · Psicologia · 2025
O aconselhamento genético é um processo que visa auxiliar indivíduos na compreensão e adaptação às implicações médicas, psicológicas e familiares de condições genéticas. Historicamente, o aconselhamento se enquadra em uma estrutura humanística que valoriza a autonomia do paciente e adota a não-diretividade como princípio ético central, tendo surgido em reação à eugenia e ao paternalismo. Contudo, a não-diretividade estrita enfrenta críticas por ser inatingível na prática e, paradoxalmente, poder diminuir a autonomia percebida, levando à necessidade de reflexões sobre o tema. Com isso, o estudo teve como objetivo compreender como os conceitos de autonomia e não-diretividade têm sido abordados pela literatura dos últimos 10 anos no contexto da tomada de decisão no aconselhamento genético, considerando a fase de transição ética e tecnológica impulsionada pela genômica. Trata-se de uma revisão de literatura do Estado da Arte, em que a busca foi realizada em outubro de 2025, utilizando descritores controlados (DeCS/MeSH) para "aconselhamento genético" e "autonomia" em bases de dados como BVS, SciELO e PubMed/MEDLINE, incluindo artigos publicados nos últimos 10 anos. Após a triagem, 20 estudos foram incluídos na análise final. Verificou-se que, embora a nãodiretividade continue sendo o ideal ético, há um consenso de que a neutralidade total é inalcançável, pois a forma como a informação é apresentada veicula valores. O campo tem evoluído para modelos mais ativos, como a tomada de decisão compartilhada e a autonomia relacional, reconhecendo que a tomada de decisão é influenciada por vínculos interpessoais e pelo contexto socioeconômico e cultural. A complexidade genômica e a preferência de pacientes por orientação ativa tornam a não-diretividade pura insustentável em muitos casos. As discussões sobre autonomia no aconselhamento genético são desafiadas pela assimetria de poder e pelo contexto de saúde. Aponta-se a relevância de integrar perspectivas como o existencialismo e a educação libertadora para a formação profissional e para a prática, promovendo uma comunicação dialógica e crítica, essencial para que o consulente exerça sua autonomia de forma consciente, contextualizada e responsável.
Gabriela Trombeta Santos · Psicologia · 2025
A neurodiversidade tem sido reconhecida como uma fonte potencial de vantagem competitiva para empresas. Com a evolução da força de trabalho global, torna-se essencial compreender, desenvolver e implementar estratégias que promovam o bem-estar de trabalhadores neurodivergentes e potencializem suas habilidades únicas. Entretanto, estudos sobre neurodiversidade em contextos laborais são recentes, configurando-se como uma área de pesquisa relativamente nova. Neste sentido, esta pesquisa tem como objetivo realizar uma revisão guarda-chuva sobre neurodiversidade e trabalho, buscando identificar (a) que tipos de estudo têm sido realizados, (b) a que tipo de neurodiversidade se referem e (c) quais são as evidências indicadas por eles. A busca ocorreu nas bases Psycnet, PubMed, Web of Science, Scopus, SciELO, Redalyc e BVS Saúde, recuperando estudos publicados até maio de 2025. Foram selecionados dez estudos de revisão relacionados à neurodiversidade e trabalho, realizados com adultos trabalhadores, e publicados em português, inglês ou espanhol, em revistas revisadas por pares, nos últimos 5 anos. Predominaram estudos descritivos e qualitativos. Quatro abordaram as neurodivergências de forma geral, sem distinguí-las. Quatro focaram em pessoas no espectro autista, um em pessoas com dislexia e outro em transtornos de aprendizagem. As evidências concentraram-se em três eixos temáticos: (a) percepções de empregadores sobre a neurodiversidade no contexto de trabalho, (b) barreiras e facilitadores da inclusão e do sucesso profissional e (c) intervenções e estratégias de suporte. Futuras pesquisas devem ampliar grupos estudados, incorporar variáveis sociodemográficas e utilizar métodos mistos e longitudinais, fortalecendo evidências sobre políticas e práticas inclusivas.
Bárbara Gabriel de Campos · Psicologia · 2025
O Transtorno do Espectro Autista, conforme o DSM-5-TR, caracteriza-se por dificuldades persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento. Com o aumento dos diagnósticos e necessidade de fortalecer estratégias inclusivas, a escola tornou-se um espaço essencial para intervenções que promovam o desenvolvimento de crianças com TEA, destacando o Acompanhante Terapêutico, profissional que auxilia nas necessidades da criança e favorece inclusão, ampliando o desenvolvimento acadêmico, social e emocional. Este estudo consiste em uma revisão sistemática cujo objetivo geral é analisar como a atuação do AT influencia o desenvolvimento social e acadêmico de crianças com TEA no ambiente escolar. Foram selecionados 10 artigos publicados entre 2020 e 2025, que abordam o papel do AT como mediador e facilitador da inclusão, respaldos legais, suas práticas pedagógicas e terapêuticas, os avanços observados no desenvolvimento das crianças e os desafios enfrentados pelos profissionais. Foram excluídos teses, dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso, projetos de iniciação científica, artigos de revisão, livros, guias, manuais, cartilhas, coletâneas, materiais indisponíveis, sem relação com o tema pelo título e pouco relacionados com o tema. Os resultados mostram que o AT promove autonomia, comunicação, comportamento e participação acadêmica e socialização das crianças. Observa-se que, embora não regulamentada como profissão, sua atuação tem respaldo legal e importância central na a educação inclusiva. Apesar da escassez de publicações específicas, é possível concluir que a presença do AT é indispensável para uma educação equitativa e acessível, reforçando a importância de mais pesquisas sobre o tema.