Marcadores bioquímicos da depressão e ansiedade em peritos criminais: implicações e demandas por suporte psicológico.
Este trabalho analisa os principais marcadores bioquímicos e neuroquímicos associados à depressão e à ansiedade, com foco em seus impactos sobre profissionais da perícia criminal. Esses transtornos estão entre as condições de saúde mental mais prevalentes no mundo, sendo classificados pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) como Transtornos Depressivos (F32-F33) e Transtornos de Ansiedade (F41), e figuram entre as principais causas de incapacidade funcional. No Brasil, o cenário é crítico: o país lidera a prevalência de depressão na América Latina, o que exige atenção a categorias expostas a altos níveis de estresse, como os peritos forenses. O referencial teórico abrange quatro eixos: (1) desregulação dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina; (2) ativação crônica do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal; (3) redução do fator neurotrófico derivado do cérebro, que compromete a plasticidade neural; e (4) aumento de citocinas inflamatórias como a interleucina-6 e o fator de necrose tumoral alfa. Os achados revelam que os peritos criminais estão vulneráveis ao adoecimento psíquico e que faltam políticas institucionais de prevenção e cuidado. Compreender esses marcadores é fundamental para embasar estratégias de intervenção em saúde mental no contexto da segurança pública.