Patologias do concreto: a importância do controle de qualidade
Autores
- Tiago Henrique Lucas — Faculdade Galileu
Resumo
A patologia das construções é um ramo da engenharia que estuda os sintomas, causas, origem e as conseqüências das deficiências nas edificações – tudo aquilo que constitui o diagnóstico. Este artigo foi feito focando na Patologia de Concreto, buscando analisar a importância do controle de qualidade para evitar as manifestações patológicas. Realizou-se uma revisão bibliográfica sobre o tema, e observação em campo. O objetivo geral do artigo é demonstrar a importância do controle de qualidade para evitar manifestações patológicas no concreto, apontando especificamente a ação dos ensaios. Esse trabalho: elenca as patologias do concreto; analisa as principais NBRs sobre concreto, e; lista os ensaios que podem evitar patologias no concreto. Foi possível perceber que o controle de qualidade é crucial para o bom desempenho do concreto, o que gera menos gastos com manutenção. 4 1. INTRODUÇÃO O tema patologias das construções é recente, datando dos anos 1960/1970. A palavra patologia, na construção civil, teve inspiração no campo da medicina. Assim como a medicina trata doenças do corpo humano, fazendo diagnósticos, buscando as causas e mecanismos das doenças, propôs-se fazer na engenharia. Desse modo, a patologia é “uma ciência formada por um conjunto de teorias que serve para explicar o mecanismo e a causa da ocorrência de determinada manifestação patológica” (FRANÇA et al, 2011, p.22). Desde muito tempo, quando a humanidade passou a se assentar e constituir comunidades fixas, as construções foram importantes. Com o passar do tempo, os materiais foram se refinando, do barro, pedras e folhas, para o cimento, cal e concreto. Na história da humanidade, os primeiros registros de uso de uma espécie de concreto foram do período do Império Romano, quando utilizavam pozalana natural misturada com cal para assentar os tijolos. Apesar do uso ser antigo, ficou por muito tempo esquecido; só no século XIX o concreto voltou a ser pesquisado. 1 Percebe-se é que as edificações sempre foram importantes na história da humanidade, seja para moradia ou para fins comerciais, públicos ou industriais. Por motivos econômicos ou sociais, as obras passaram a ser feitas com maior velocidade e pouco controle dos materiais. Esse fato provoca a queda da qualidade das construções, fazendo com que algumas edificações já estejam condenadas antes mesmo de serem ocupadas. Com isso, não atendem às demandas do comprador do imóvel, principalmente no que diz respeito à durabilidade. Com o tempo, o mercado consumidor foi se tornando mais exigente, assim foi necessário que houvesse maior atenção à qualidade final do produto, isto é, foi preciso ter atenção aos problemas pós-obra, que ocorrem com a utilização da estrutura (SILVA e SOBRINHO, 2016). Em 1990, o Código de Defesa do Consumidor ofereceu ao cliente “artifícios para fazer valer seus direitos, fazendo com que surgisse os conceitos de “qualidade”, “desempenho” e “certificações de conformidades”, exigindo melhorias em todo o processo construtivo, como material e também mão-de-obra” (GONÇALVES, 2015, p. 02). Essa foi uma medida importante para a melhoria no 11 Disponível em: https://cimento.org/concreto/ 5 controle da qualidade das obras, desde os materiais utilizados até o modo de utilização desses materiais. O concreto tem sido amplamente usado nas construções brasileiras desde o começo do século XX, sendo uma mistura de cimento, água, areia (agregado miúdo), e pedra ou brita (agregado graúdo). Brandão e Pinheiro (1999) afirmam que, por muito tempo, considerava-se o concreto um material bastante durável, dispensando manutenções. Mas, a deterioração de algumas estruturas trouxe a relevância dos estudos sobre a patologia do concreto. Era preciso entender as causas e origens das manifestações patológicas. Conforme observado por Arivabene (2015), a prevenção e a manutenção são os melhores meios para evitar a ocorrência de patologias. Saber a causa das patologias é um modo eficiente e econômico de evitá-las em futuras edificações. As patologias podem resultar em muitos problemas na estrutura da edificação, o que compromete seu desempenho. As principais manifestações patológicas estão ligadas a projetos deficientes de detalhamento e incompatibilidade entre os mesmos; falhas durante a execução, utilização incorreta de materiais e falta de vistoria por parte dos profissionais responsáveis envolvidos, resultando em vários problemas na estrutura, comprometendo o desempenho da mesma. (ARIVABENE, 2014, p. 01). Figueiredo e O’Reilly (2003), afirmam que em décadas passadas o ambiente era menos agressivo, e o aperfeiçoamento de técnicas mais econômicas representaram uma interferência negativa nas edificações, especificamente no que diz respeito à durabilidade. Conforme os autores, as estruturas de concreto armado estão, atualmente, mais vulneráveis ao surgimento precoce de manifestações patológicas. Alguns avanços nesse sentido foram dados pela ABNT, com o estabelecimento de normas para a construção, tanto em relação aos materiais, às técnicas, quanto ao desempenho. Com essa normalização, garantia-se a melhoria na qualidade final do produto. A adequação aos critérios das normas valoriza a empresa do setor de construção civil. Há, ainda, a facilidade de importação e exportação de produtos regulamentados pelas NBRs. O não cumprimento dessas normas pode produzir manifestações patológicas no material, no caso deste trabalho, no concreto. Então, patologias que podem levar à insegurança dos usuários das edificações podem ser